
Catarina Eufémia
Cantar Alentejano - Jose Afonso
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p’ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p’ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar.
O trágico dia de 19 de Maio de 1954 deverá sempre ser recordado como o dia em que a luta não parou, nem irá parar. Que este exemplo de vida nos sirva de inspiração, pois só reivindicando os nossos deveres e os nossos direitos é que conseguimos alcançar os nossos objectivos. Talvez não consigamos ver de imediato o resultado, tal como Catarina. Apesar de tudo, a Liberdade chegou 20 anos depois. Talvez Catarina não reconhecesse nem compreendesse o mundo de hoje, pois hoje há outras formas de luta...