sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Lisboa

Lisboa não é apenas a capital de um país… a sua importância advém de tempos longínquos em que se descobriu a verdadeira essência deste espaço mágico, apreciado e reconhecido por tantos e tantos homens e mulheres… Não subestimando outras cidades de igual importância, Lisboa tem mais encanto sobretudo quando se vive dentro ou perto dela algum tempo… Não admira estes recantos lisboetas sejam inspiradores de grandes poetas, escritores, cantores portugueses. Conhecer esta cidade está para além de visitar os monumentos considerados ex-líbris da cidade. A verdadeira cidade está nos pequenos espaços, nos pequenos miradouros, nas pequenas ruas, avenidas, jardins. Lisboa é mais literária ainda quando nos deixamos influenciar pela magia que esta dispõe e percebemos isso nos momentos que nos proporciona com os demais amigos com os quais nos cruzamos e que no-la apresentam.

Um bem-haja a todas as amigas que conheci em Lisboa e perto dela, que me mostraram uma Lisboa diferente, afinal não tão distante, nem inacessível, nem tão pouco incompreensível...

Ao fundo, o Tejo


Pequeno altar junto à Rua da Achada :)


A caminho da Sé


Candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade-UNESCO


Vista do Elevador de Santa Justa


Praça do Comércio


Ponte 25 de Abril

Ao fundo, a margem sul :)


No Largo do Rato


Junto à Assembleia da República

A descer as Amoreiras


Jardim da Estrela


Basílica da Estrela

E agora.... um dos grandes poetas portugueses que se serviu durante anos da inspiração desta nossa capital. Aqui ficam algumas fotografias da casa que habitou, transformada agora em Casa de Fernando Pessoa.

Lugar cativo no Martinho da Arcada


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Manuel de Pina é o vencedor do Prémio Camões 2011

ESPLANADA (1991)

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cântico Negro

(Hoje sinto-me assim, tal como o poeta.)


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



José Régio